quinta-feira, 30 de maio de 2024

Bia

01/10/2012


Bia olhava o movimento do vagão, 

o balançar dos olhares 

e viu dois se cruzarem com ternura.

O senhor, logo à frente, observava uma “moça” do outro lado do corredor. 

Cerca de 50 anos, cabelos negros, o olhou de volta.

Bia sentiu, viu nos dois, a imaginação de toda uma vida

Um lugar vagou, ao lado dela. Ele observou, 

como que em dúvida se levantava ou não, hesitou. 

Um lugar vagou do lado dele. Ela observou. Se olharam; ela levantou; foi em sua direção. Ele se encheu de brilho. Ela se virou um pouco para a esquerda e saiu do trem. Ele murchou. Os olhos de Bia se encheram de lágrimas. Viu nele as mesma imagens que produziu, tantas vezes, em sua mente; com tantos olhares cruzados de estranhos que amou (profundamente) naqueles segundos. Vidas que dividiram. Se viu, ali… 

A mão marcada, de um viúvo, que tirou a aliança (a qual usará por 30 anos) há poucos meses.

Se viu ali… Na batida dos trilhos. Se viu no balançar de um coração cansado de esperar.

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

Bia

Sempre soube, qual o destino de Mauro.
Mas lembrava que “quando se acerta o alvo
Se erra todo o resto.”
O resto é o que nos torna...

Bia

Poderia...
Se não estivesse muito ocupada morrendo.

-

Pedro ontem pegou em suas mãos e teve esperança.

Mauro e Bia

Eram heróis. Os mais simples que já conheci.
Juntos estavam destinados a salvar o mundo. Mas sem saber como, se podavam.
Estavam um no outro, assim como o sal melhora o doce.
Ele pensava no sul e ela sabia que deveria deixá-lo seguir seu destino, mas mantinha aceso o farol, para um dia guiá-lo de volta para casa.
Quase se tocaram e ela foi embora, sem dizer uma só palavra, mais uma vez.

Mauro e Eloiza

Se viram, como da primeira vez. Como quem revive um sonho.
Mauro disse que estava com o semblante bonito, ela quis dizer o mesmo.
Tinha certeza agora que o amava, como antes.

terça-feira, 24 de novembro de 2009

Bia

Sentia falta de Wilson e já não pensava mais em agulhas. Continuava a bater os calcanhares.
Queria sonhar como há vinte anos. Escassos pesadelos a afligiam então.
Era hora, sentia-se lutando, sem saber o motivo de manter-se viva.
Tentava aprender a deletar.
Quantas vezes um humano pode morrer? Quantos sonhos precisamos ter, para nos mantermos vivos? Já não tinha muitos.

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Liza

De certas coisas nunca nos recuperamos, disso não tinha dúvida. Preferia ter perdido a vida, do que o filho, pensava nisso quinzenalmente e fazia de conta que sabia respirar, como se só fosse água, o que lhe escorria por trás dos óculos escuros.

sexta-feira, 20 de novembro de 2009

Bia e Eloiza

Um dia se encontraram por acaso e quase se reconheceram
Bia fazia de conta que não era inteligente, queria que pensassem que era como as outras pessoas. Mas sua idéia de uma conversa normal era apenas não mencionar Kandinsky, Darwin, política ou filosofia e tentava fazer isso sempre que podia.

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Liza e Mauro

Decorou sua pele, banca demais, seus cabelos, compridos demais, sua barba, que estava sempre grande demais.

Dianna

Tinha um sorriso que hipnotizava. Liza ficava facilmente feliz, ao pensar nela, pois suspeitava que Dianna salvaria Felipe a seu modo. Se via em Dianna e se via também em Felipe, mas era de Mauro que julgava não se distinguir.

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Felipe certa vez falou que queria construir uma estação, para Liza. (ela se refugiou nos braços de Wilson). Se especializou em desejar a felicidade dele, quanto mais longe melhor. Sorrisos mensais intercalados com silêncio. Sabia que o destino dos dois não se cruzaria no amor. Conheceu Dianna e entendeu o papel que teria. Nunca os apresentou, se conheceram por acaso. (Bia) achou tudo óbvio e não contou o que pensou, no dia em que a conheceu, não se surpreendeu quando o coração de Dianna se partiu, mas fez questão de chamá-lo de idiota.

Nunca amaria ninguém assim, um amor maior do que qualquer pecado. Quis que fossem felizes, ainda quer e eles foram.


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Deu sua vida à ele. Uma vida que ele manteve acesa desde 1986.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Stephanie was 30 now, not just in age, but also in times of love.

Bia

...
Mesmo assim embarcou no terceiro trem, sem medo, ela decora muito bem o seu papel.

domingo, 20 de setembro de 2009

Bia

Seu silêncio sufocava e os lampejos da noite lhe esvaiam as forças.
Ela não abriria mão de Pedro. Nem abriria o seu coração para Alan, apesar das evidências.
Era assim, tantas vezes Alan aparecia, nas horas impróprias, quando se sentia frágil e oferecia devolver-lhe a vida.

quinta-feira, 10 de setembro de 2009

Liza

"Não tinha se quer um corpo para enterrar". Pensava nisso tantas vezes. Sabia agora que nunca mais merecia sofrer. "Quem perde um filho deveria ser poupado de qualquer sofrimento na vida."
A dor era insuportável, o vazio e a culpa, por não ter conseguido manter aquele pequeno coração batendo... Atirava pedras no mundo e este parecia mesmo tão distante.
Contou partes a Mauro e se sentiu sozinha por inteiro.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Mauro estava ausente há alguns meses, fora escassos recados virtuais, já quase não se falavam. Eloiza se convenceu que esta é a ordem natural das coisas. Ele pensava no sul e ela ainda nas promessas que deveria ter feito à uma estrela.

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Era tarde e a madrugada lembrava Rudolf.
Sem castanholas ia seguindo; equilibrando o chapéu, engaçado, no nariz.

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Sonho de Cinderela, meio torto na encruzilhada.
Sua barriga crescia com sua raiva; ou seria apenas tristeza?
Se via agora também num corpo que já não é seu. Nada no dedo ou nas mãos, sinais de "stop" nunca foram nítidos e foi incapaz de deixar de amar mais uma vez, mais tantas vezes. Papéis de carta e racunhos, diziam coisas, muitas delas, com sentimentos únicos.
Linhas que viravam listras em camisetas e um vermelho que não se usava. "Mais alguns meses, sem vermelho".

segunda-feira, 13 de julho de 2009

Era dezembro quando se encontraram, permanentes, um no outro.
Era junho e o inverno batia mais forte do que no ano anterior;
talvez por não ver mais as àrvores ao lado do lago; talvez
por não existir neblina; talvez
por acreditar que não merecia o destino que escolheu.


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Antes de ontem Bia sorriu para ele. Como quem pede um beijo em meio à tempestade.
Mas ele tem medo, de se molhar.
Ela foi quem molhou o rosto hoje, sem óculos escuros
ou quadrados. Impossível não ler x como muito mais.

Não é uma questão de querer mais; sim uma questão de merecer.
ou
Não seria uma questão de merecer mais e sim de querer? Ou no caso dela de não querer.
Brincava de mal me quer como quem já escolhe o mal antes do jogo acabar. "Pois acreditar que é feliz é uma questão de criação, muito mais do que de boa vontade".